Kia Soul 1.6 CRDi EX – Irreverência coreana

IMG_1473Uns gostam, outros detestam e unanimidade é coisa que o Kia Soul não consegue reunir graças ao seu estilo irreverente. Espaço não falta, mas não é um familiar; com aspecto de SUV não passa de um utilitário. Confusos?

Encaixar o Soul num segmento é a mesma coisa que meter “o Rossio na Rua da Betesga”. Cruza espécies antagónicas como os monovolumes compactos com os SUV não passando de utilitário com uma base herdada do Kia Rio (muito modificada, é certo). Além disso, tem um desenho irreverente quase cubista tantas as linhas rectas e a forma como a linha vidrada e de cintura correm para a traseira. Esta termina de forma abrupta com um portão que lembra a porta de um frigorífico. Isto é o Kia Soul!

Interior espaçoso

Critica que não se pode fazer a este Kia é falta de espaço, tanto em altura como em largura e até mesmo para as pernas. A vertente MPV expressa em pleno. Os bancos não são particularmente confortáveis, mas são bonitos com um padrão original. A qualidade de construção é razoável e os materiais utilizados aproximam-se da média do segmento.

Dado curioso e que prova a irreverência deste Kia Soul está na cor vermelha que pinta o interior dos espaços de arrumação fechados e o “gadget” que liga uma luz vermelha instalada nos altifalantes acendendo-a e apagando-a ao som do ritmo da música que estiver a tocar. Original este sistema PowerBass…

O equipamento desta versão EX é muito completo, com destaques para os vários airbags, regulação em altura e profundidade de banco e volante, rádio com leitor de Cd’s e MP3 e ligação auxiliar para o iPod.

Tanto espaço a bordo com dimensões de utilitário teria de cobrar a factura em algum lado e a fava saiu à bagageira. Sâo apenas 222 litros que podem estender-se a 700 litros com o rebatimento dos bancos na proporção 60/40. E apesar dos espaços de arrumação não há ponta de versatilidade e por isso lá se vai o aspecto de MPV. Destaque também para a câmara de retrovisão que projecta a imagem captada pela câmara no espelho retrovisor sem lhe retirar visibilidade. Que, diga-se, para trás é pouco menos que péssima. A posição de condução é boa e só é pena que o conforto não seja melhor. E isso não é culpa só dos bancos…

Suspensão e pneus duros

O sistema de suspensão é clássico com funcionamento McPherson à frente e eixo de torção atrás. O elevado centro de gravidade da estranha carroçaria obrigou a um reforço da dureza da suspensão que, quando recebe os pneus de 18 polegadas – cujas jantes, diga-se, ficam muito bem – fica ainda mais dura. É bom para o comportamento, mas em termos de conforto, deixa algo a desejar.

Quanto à mecânica, o Kia Soul deita mão ao bloco de quatro cilindros e 1.6 litros que surge aqui com mais potência, nada menos que 128 CV e um binário de 260 Nm. Para ajudar nos consumos, o acelerador tem duas posições e a caixa de apenas cinco velocidades tem as últimas relações muito longas.

O problema disto tudo é que o Soul é algo pesado (1,5 toneladas) e possui uma aerodinâmica medíocre o que faz com que seja complicado perceber que há mais potência no motor. Aliás, em certas situações até parece que há lá menos cavalos. E com a caixa longa, ficaram prejudicadas as recuperações. E como temos de recorrer mais à caixa, lá se foi a vantagem do consumo. Será que na Coreia as estradas são todas planas?!

Relativamente bem comportado

Firme e com um chassis minimamente rígido, o Kia Soul é muito interessante em termos de comportamento. Pena que a traseira perca peso muito facilmente, ganhando vida própria e refreando os ânimos dos mais excitados. A direcção é leve o suficiente mas como todos os sistemas eléctricos, é desprovida de sensações. A travagem está num plano mediano, com distâncias de travagem algo alongadas.

Com um preço base inferior aos 20 mil euros, o Kia Soul é atraente também por este prisma. Porem, para ter um igual ao das fotos, terá de alargar os cordões à bolsa e desembolsar quase 22 mil euros. E ai as coisas são algo diferentes, mesmo que consideramos que seja um valor aceitável.

Características técnicas

Motor 4 cil. 16V; 1582 c.c., “common rail” turbo; Potência – 128 cv / 4000 rpm: Binário – 260 Nm / 1900-2750 rpm; Transmissão – Dianteira, caixa manual 5 vel.; Suspensão – Independente, McPherson fr. / Eixo de torção tr.; Travões – Discos vent. fr. / Discos tr.; Comp./Larg./Alt. – 4100/1780/1610 mm; Dist. entre eixos -2550 mm; Capacidade da mala – 222/700 lts; Peso – 1270 kgs; Velocidade Máxima – 178 km/h; Acel. 0-100 km/h -11,6 seg.; Consumo médio -5,2 l/100 km; Emissões CO2 -137 gr./km (Categoria C)

Preço 19.990 Euros (Preço versão ensaiada 21.990 Euros)

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