Renault Mégane Coupé TCe – Alma vigorosa

IMG_0364Os 180 CV do motor dois litros sobrealimentado conferem outra aura ao Mégane Coupe, dando-lhe uma alma vigorosa que coloca à prova as qualidades dinâmicas do modelo francês.

Olhando para a ficha técnica e percebendo que a base deste Megane Coupé não é a plataforma actual mas a do modelo agora substituído com remodelação e implantação da mecânica e demais componentes da versão III, mais curiosos ficámos para experimentar este motor a gasolina sobrealimentado com 180 CV.

Espaço e conforto

A berlina Megane impressiona pelo ar musculado, o Coupé pelo seu aspecto mais suave com linhas que fluem de forma harmoniosa e que bebeu inspiração certamente na escola italiana.

E se muitos viram a cabeça para ver a novidade, agora que o Megane já tem algum tempo de comercialização, continua a recolher expressões de agrado. Um caso sério de sucesso para a Renault, coisa que ultimamente não tem sido muito comum…

Sacrificando um pouco a função à forma, o Megane Coupé obriga a alguma ginástica para aceder aos bancos traseiros (mas sem grandes problemas), mas ainda assim oferece três lugares atrás. Bom, dois e meio, pois o ocupante do banco central irá sempre bem aconchegado pelos outros dois passageiros. Ainda assim, um sinal positivo que se prolonga para a bagageira cujos 354 litros é suficiente para os objectivos de um coupé.

Pior é mesmo a visibilidade para trás. A carroçaria tão fechada não deixa possibilidades de grande visão e nas manobras de estacionamento esse é um problema que causa alguns embaraços. Mas também, quem se preocupa com isso se quiser ter um destes Megane Coupé?

Apesar da base não ser nova, a verdade é que o Megane Coupé exibe uma qualidade acima do esperado. Em bom plano está a posição de condução, graças às múltiplas regulações de banco e volante, sendo este, uma das óptimas coisas que o Megane Coupé tem no interior. Continuamos a gostar muito do arranjo interior, quer do painel de instrumentos, quer dos bancos e demais painéis.

Um motor cheio de alma

O bloco de quatro cilindros e dois litros de cilindrada deste Megane Coupé é uma pequena jóia de técnica. Chama-se TCe (Turbo Control Efficency) e está equipado com um turbocompressor “twin scroll” que permite uma aceleração vigorosa desde baixas rotações, debitando 180 CV e um binário de 300 Nm a partir das 2250 rpm, valor excelente para um motor a gasolina e que lhe confere uma elasticidade admirável. Mais uma razão para o nervoso miudinho que antecedeu este ensaio.

Colocado em funcionamento com o habitual botão “Start/Stop”, o som emanado pelo motor deixa-nos desiludido, pois chega abafado ao interior e não tem nada aparência de propulsor raçudo e desportivo.

Regulados banco e volante, partimos então para a descoberta do Megane Coupé TCe. Primeira constatação: a elasticidade do motor é realmente uma mais-valia em cidade, mesmo que não alcance o brilhantismo de outras motorizações de marcas rivais com menor cilindrada.

Segunda constatação: a caixa de 6 velocidades é relativamente rápida e fácil de utilizar, sem grandes hesitações. Terceira constatação: vamos muito bem sentados e apesar de tudo, o Megane Coupé consegue ser confortável.

Quarta constatação: afinal o motor faz-se ouvir com outra alma a partir das 2500 rpm e nessa altura a insonorização mostra-se deficiente.

Entretidos nestes pensamentos, demos por nós em plena auto-estrada. Não nos fizemos rogados e começamos a explorar todas as potencialidades do motor TCe. Sobe facilmente de rotação, mas no patamar superior e próximo do regime de potência máxima, torna-se barulhento e ao fim de algum tempo irrita um pouco tanto barulho.

Mais baixo (4,8 cm) e mais perto do solo (menos 1,2 cm) que a berlina, o Coupé possui um centro de gravidade mais baixo o que naturalmente lhe confere um melhor comportamento. Mesmo que no eixo traseiro não esteja lá um sistema multibraços independente, mas uma barra de torção.

Para comprovar a validade de tudo isto, saímos da autoestrada e fomos para um terreno onde as coisas são mais difíceis e chassis e suspensões têm de trabalhar mais. E tudo o que dissemos acima é comprovado pela prática: apesar do conforto proporcionado, o Megane Coupé com o motor de 180 CV curva bem e depressa, o controlo do adornar da carroçaria faz-se sem grande dificuldade e apesar de não ser um desportivo puro e duro, não subvira em demasia e acaba por ser fácil de conduzir. E para que não tenhamos surpresas, lá está o vigilante ESP que não se pode desligar totalmente.

O problema surge quando andamos em mau piso e nessa altura, a suspensão traseira dá a conhecer os seus limites, saltitando bastante e tornando o comportamento menos previsível, especialmente se demasiado confiantes após um troço sinuoso com bom piso. Não chega a ser perigoso, mas desconfortável e menos agradável para quem conduz.

Consumo alto, preços em conta

Com tanto poderio e um comportamento entusiasmante, é evidente que os consumos não podem ser baixos. Se controlarmos bem o andamento, são possíveis médias abaixo dos 10 litros sem grande dificuldade. Mas assim que pisamos com mais ardor o pedal do acelerador, o computador de bordo surpreende-nos com valores para lá dos dois dígitos.

Conseguimos uma média final de 8,9 litros, valor aceitável, embora alguns concorrentes para igual desempenho consumam bem menos. Quanto ao preço, a cilindrada não deixa margem para grandes manobras mas com um preço na ordem dos 30 mil euros, o Megane Coupé TCe não é caro. É verdade que tem concorrentes mais baratos, mas o equipamento é muito completo, o estilo é sedutor e as qualidades de construção e mecânicas justificam este preço final.

Características técnicas

Motor 4 cil. 16V; 1998 c.c.; turbo; Potência -180 cv / 5500 rpm; Binário – 300 Nm / 2250 rpm; Transmissão – Dianteira, caixa manual 6 vel.; Suspensão – Independente, McPherson fr. / Eixo semi-rígido tr.; Travões – Discos vent. fr. / Discos tr.; Comp./Larg./Alt. – 4295/1808/1423 mm; Dist. entre eixos – 3540 mm; Capacidade da mala – 165/285 lts; Peso – 1320 kgs; Velocidade Máxima – 230 km/h; Acel. 0-100 km/h – 7,8 seg.; Consumo médio – 7,6 l/100 km; Emissões CO2 -178 (Categoria D)

Preço 30.182 Euros (Preço versão ensaiada 34.970 Euros)

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