Renault Twingo RS: Diabrete!

twingosport_exterior_web2_openMusculado e com voz grossa, o Twingo RS Cup é um verdadeiro diabrete quando a estrada enrola deixando muito senhor de maior gabarito a pensar como é possível um pivete ser tão rápido.

Diz-se que tudo o que é pequenino é bonito e no caso do Twingo o adágio aplica-se de forma quase perfeita. E nesta versão RS musculada e de voz grossa ainda mais pois os alargamentos das cavas das rodas, as jantes de 17 polegadas, a pequena asa traseira e os “bigodes” colocados no spoiler dianteiro, ficam-lhe a matar!

Lá dentro a coisa é mais pacífica, pois uma vez mais a Renault não embarcou em radicalismos. É verdade que os bancos são mais envolventes, os pedais são em alumínio e o conta-rotações parece ter caído em cima da coluna de direcção vindo do departamento de competição da marca. Ah! não esquecendo os cintos laranja que dão um toque de cor a um habitáculo predominantemente negro e as soleiras das portas com a inscrição Renault Sport.

Ficámos a pensar porque razão a Renault não foi um bocadinho mais longe e nesta versão RS Cup não colocou umas “baquets” rebatíveis, um volante mais desportivo e alguns pormenores mais virados para a competição? Não é este um carro apontado aos jovens? É que do lado de fora, a imagem passa de forma plena e toda a gente olha para o pequeno Twingo. É que ainda por cima, temos uma posição de condução demasiado elevada para um desportivo e o volante está muito horizontal.

Motor com voz grossa

O Twingo RS recebeu o motor 1.6 litros multiválvulas com 133 CV, valor não muito elevado mas que aliado ao baixo peso (não passa dos 150 quilogramas) permite um desempenho bem interessante. Atmosférico, este motor passa pelos problemas habituais, ou seja, uma faixa de utilização mais estreita (entre as 3500 e as 6700 rpm) que nos motores sobrealimentados e dificuldade nas retomas de aceleração. É verdade que a caixa é curta e esconde um bocadinho o binário mediano disponível a uma rotação elevada, mas percebe-se bem que o Twingo RS tem de ser usado sempre “no grito”.

A caixa, como referimos, é curta e tem um manuseamento não totalmente conseguido, sendo dura e algo imprecisa. Mas o escalonamento é bom e ajuda a retirar o que o bloco tem para nos oferecer. Pena que não haja uma sexta marcha, pois a quinta é curta e em autoestrada, o Twingo RS “grita” muito para chegar a uma velocidade de cruzeiro aceitável.

Aliás, a insonorização é um dos problemas do Twingo RS, nom eadamente, quando andamos muito tempo numa autoestrada ou numa via rápida. O agradável tom rouco e agressivo quando ligamos o motor ou andamos em cidade, passa a ser irritante e cansativo em tiradas mais longas como um Lisboa-Porto. Acreditem que é cansativo…

Óptimo comportamento

A base do Twingo é o anterior Clio (que também serve para a Dacia…) por isso as suspensões são um conjunto clássico de eixo de torção atrás e estrutura MacPherson independente nas rodas dianteiras. O chassis é rígido o quanto baste e com 133 CV raramente é colocado em causa. Para ajudar, a Renault calçou este Twingo RS com uns pneus Continental de perfil ultra baixo (atenção aos passeios e aos buracos!) que depois de quentes são verdadeiras lapas.

O eixo traseiro vivo permite esta agilidade ao Twingo RS, pois roda de forma rápida para ajudar a inserção em curva e o eixo dianteiro raramente dá parte de fraco. Quando isso sucede – a maioria das vezes por falta de motricidade – o ESP e o controlo de tracção entram em acção e tudo se resolve. Porém, devemos ter cuidado quando desligamos o ESP, pois a traseira é mesmo muito nervosa e alguns excessos de optimismo podem ter um final pouco feliz.

Uma das grandes virtudes deste Twingo RS é que podemos andar muito depressa – mais do que seria espectável – que a factura de gasolina não é tão elevada como se poderia pensar. É verdade que em ritmos elevados as contas sobem facilmente para os dois dígitos, mas numa utilização normal consegue fazer média de 8,5 litros tranquilamente. Assim sendo, os 40 litros do depósito permitem uma autonomia interessante.

O preço final desta versão RS Cup é de 19.810 euros, ou seja, abaixo de muitos dos seus rivais (há versão mais básica cujo preço é de 19.100 euros) e um valor razoável para o desempenho do Twingo RS. Mas lembre-se, especialmente se tem filhos, que o Twingo só tem quatro lugares e a mala oscila entre minúsculos 165 litros e os mais interessantes 285 litros, quando faz avançar os dois bancos traseiros sobre calhas. Mas ai, perde muito do espaço para as pernas…

Características técnicas

Motor 4 cil. 16V; 1598 c.c.

Potência (CV/rpm) 133/6750

Binário (Nm/rpm) 160/4400

Transmissão Dianteira, caixa manual 5 vel.

Suspensão (fr./tr.) Independente, McPherson/Eixo de torção

Travões (fr./tr.) Discos vent./Discos

Comp./Larg./Alt. (mm) 3607/1688/1460

Dist. entre eixos (mm) 2368

Capacidade da mala (lt) 165/285

Peso (kg) 1049

Velocidade Máxima (km/h) 201

Acel. 0-100 km/h (s) 8,7

Consumo médio (l/100 km) 7,0

Emissões CO2 (gr/km) 165 (Categoria D)

Preço versão base 19.350 Euros

Preço versão ensaiada 19.350 Euros

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