General Motors: a queda de um colosso com pés de vidro

GM Renaissance CenterO impensável aconteceu. A General Motors, o maior construtor mundial de automóveis durante 77 anos e que produziu mais de metade da totalidade dos carros vendidos nos Estados Unidos da América, abriu falência!

Foi o presidente da General Motors, Fritz Henderson quem afirmou a anunciou a declaração de falência da General Motors, depois do grupo ter acumulado quase 88 mil milhões de dólares de prejuízos desde 2004. Com esta decisão, ao abrigo do capítulo 11 da lei de protecção de empresas norte americano, a General Motors irá ressurgir detida pelos contribuintes norte-americanos (60 por cento).

Para isso, os EUA irão investir 30,1 mil milhões de dólares na GM, depois de terem chegado a bom porto as negociações com o poderoso sindicato United Auto Workers, que representa os trabalhadores e são detentores de dívida da empresa, avaliada em 27 mil milhões de dólares.

Foi aceite uma revisão dos acordos laborais – tidos como dos mais vantajosos de todos os “grandes” de Detroit – de pensão e de saúde, permitindo assim um corte imediato de 10 milhões de dólares/ano no orçamento da GM. Os investidores proprietários de dívida da GM aceitaram reconverter esses títulos em acções assumindo desde logo 10 por cento do capital e o direito de preferência sobre mais 15 por cento das acções. O Governo canadiano ficará com 12 por cento das acções injectando 9,5 mil milhões de dólares. Contas feitas, a “nova” General Motors receberá qualquer coisa como 40 mil milhões de dólares, além dos 19,4 mil milhões que já foram injectados, colocando a fasquia nos 60 mil milhões de dólares.

O desejado acordo para a venda da Opel sem que esta seja afectada pela falência da GM foi dado, pelo que a canadiana Magna International poderá ser a próxima proprietária da Opel, reduzindo ainda mais o portfólio de marcas do grupo.

Estão previstas, também, a alienação da Hummer, Saturn e Saab, depois de ter sido já anunciado o fim da Pontiac. Também a Delphi, subsidiária da GM para a produção de peças, igualmente falida, será alienada decorrendo negociações com centenas de concessionário para a reestruturação da rede.

Foi esta a forma encontrada pela Administração Obama para salvar a General Motors. Sobre esse assunto, Barack Obama já referiu que “não podíamos ver desaparecer este ícone da industria americana” não dizendo o resto e que está ligado com a profunda crise social que iria desencadear perante o fim da linha de mais de 200 mil postos de trabalho.

Resta saber é se a “nova” General Motors poderá restaurar-se e voltar a ser este “orgulho americano” que serviu a Obama para~salvar a “velha” GM. O fim de marcas emblemáticas, a alienação da Opel na Europa – e que ditará o seu afastamento do mercado europeu, pois não será a Chevrolet a conseguir destaque – e a ideia de produzir um novo tipo de automóvel para satisfazer a Administração Obama pode muito bem ser “pior a emenda que o soneto”…

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