“Quo vadis” Fiat?

fiat_comprasPese embora ter-se retirado do verdadeiro leilão em que se transformou a, quanto a nós, desnecessária alienação da Opel pela General Motors, a verdade é que recentes notícias têm indicado que o processo de aquisição da centenária marca britânica pela Fiat está longe de encerrado. É verdade que a Magna ganhou um comprimento de vantagem, mas as complicadíssimas ligações para formar o sindicato financeiro (com russos pelo meio…) e a desvantagem de não ter nenhum parceiro tecnológico que permita criar sinergias que poupem dinheiro, poderá ainda mudar muita coisa no processo.

Entretanto, Sergio Marchionne, CEO do grupo Fiat, já veio a terreiro dizer que a vida continua e que se a Opel não entrar no portfólio de marcas do grupo, há mais alvos para escolher. A questão então é esta: “quo vadis” Fiat?

A maior parte dos analistas aponta o grupo PSA como o próximo alvo. Concretizada a compra ou troca ou posse, como lhe queiram chamar, de 20% da Chrysler, o grupo Fiat tem agora presença nos Estados Unidos e aumentou o seu peso em termos de produção. Mas esta jogada comporta muitos riscos e para já as acções do grupo caíram no mercado de capitais e muitos acreditam que a estratégia expansionista de Marchionne terá aqui o seu elo mais fraco.

O que realmente parece é que tudo isto não passa de uma cortina de fumo para esconder os verdadeiros objectivos do grupo Fiat e do grupo PSA: uma fusão! Isto porque com a produção conjunta dos dois grupos seriam alcançadas mais de 5 milhões de unidades/ano, exactamente o que Marchionne precisa e que as marcas do grupo PSA também necessitam, ou seja, estarem em posição dominadora no mercado.

E pensemos no seguinte: os dois grupos têm uma parceria já com mais de duas décadas em termos de veículo comerciais e o sucesso tem sido evidente. Um cenário de fusão iria permitir que a Peugeot e a Citroën alargarem a sua presença a outros mercados, beneficiando ainda das imagens de marca de Alfa Romeo e Lancia no topo dos segmentos.

Poderá surgir a pergunta: e porque não comprar a Volvo ou a Saab que estão a preços de saldo? Marchionne até já disse que se falhar a compra da Opel, estaria interessado em comprar a Saab, mas nem esta nem a Volvo trariam impacto em termos de volume e seria apenas uma aquisição para juntar mais uma marca Premium ao portfólio.

Assim sendo, a junção com o grupo PSA é o que faz mais sentido. Porém, todos os casamentos têm o seu lado lunar. O grupo francês já avisou que quer manter a identidade, u seja, uma compra por parte da Fiat obrigaria a gastar dinheiro que manifestamente o grupo italiano não tem neste momento apesar de Marchionne ter as costas bem quentes pelo governo e pelo sistema bancário italiano. Depois, ninguém acredita numa compra pura e simples, pois certamente que proteccionismos velados surgiram em França e em Itália para evitar cortes nos custos, leia-se, despedimentos. E não estamos a ver o governo francês, que injectou três mil milhões de euros no grupo PSA interessado em ver esse dinheiro utilizado para eliminar postos de trabalho em França…

Por tudo isto, a verdadeira questão que se levanta é esta: se não há acordo com a Opel, nem com o grupo PSA, as conversações com a BMW e a Mercedes não têm passado de cortinas de fumo e a expansão para Oriente não parece como a mais acertada, onde raio é que o grupo Fiat vai encontrar maneira de crescer em volume e peso na indústria automóvel mundial?

Não percam os próximos capítulos, porque nós também não!

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