F1: FOTA avança para campeonato independente

fota_05_03_09_smallAquilo que todos esperavam mas que alguns ainda vaticinaram como impossível, vai ser uma realidade em 2010: as oito equipas que fazem parte da FOTA (Formula One Teams Association) não aceitaram as últimas propostas de Mas Mosley e decidiram criar um campeonato independente. Aquilo que aqui no CAR BLOG já tinhamos referido e que alguns vociferaram contra esta ousadia de defender os infames das equipas contra o “status quo” da FIA.

A notícia surgiu em comunicado oficial da FOTA após quatro horas de reunião em Enstone, instalações da equipa Renault. Sublinhado pelos responsáveis das equipas Ferrari (Luca de Montezemolo), McLaren Mercedes (Martin Whitmarsh e Rin Dennis), Renault (Flávio Briatore), Toyota (John Howett), BMW Sauber (Mario Thiessen), Brawn GP (Ross Brawn ), RedBull (Christian Horner) e Toro Rosso (Franz Tost), além de alguns presidentes das marcas, este comunicado deixa bem claro que as equipas agrupadas na FOTA “não pode continuar a comprometer os valores fundamentais do desporto automóvel e por isso decidiram declinar a alteração na inscrição não anulando as condicionantes para a inscrição no Mundial de 2010.”

O comunicado emitido pela FOTA é o seguinte:

“Desde a formação da FOTA no passado mês de Setembro que as equipas têm trabalhado em conjunto e procurado envolver a FIA e o detentor dos direitos comerciais para desenvolver e melhorar o desporto.

A crise financeira sem precedentes a nível mundial tem colocado, inevitavelmente, grandes desafios à comunidade da F1. A FOTA está orgulhosa por ter conseguido atingir as mais importantes medidas para reduzir os custos na história do nosso desporto.

Em particular, os construtores têm prestado assistência às equipas independentes, algumas das quais, provavelmente, não estariam hoje no campeonato sem as iniciativas da FOTA. As equipas da FOTA acordaram, ainda, voluntariamente, com uma substancial redução dos custos, para fornecer um modelo sustentável para o futuro.

Na sequência destes esforços todas as equipas confirmaram à FIA e ao detentor dos direitos comerciais que estavam dispostos a comprometer-se até ao final de 2012.

A FIA e o detentor dos direitos comerciais encetaram uma campanha para dividir a FOTA.

Os desejos da maioria das equipas foram ignorados. Além disso, milhões de dólares de muitas equipas foram retidos pelo detentor dos direitos comerciais desde 2006. Apesar disto e da natureza intransigente, a FOTA procurou sempre um compromisso.

Ficou claro, no entanto, que as equipas não podiam continuar a comprometer os valores fundamentais do desporto, tendo por isso declinado alterar a condição original das inscrições para o Campeonato do Mundo de 2010.

As equipas não têm, assim, outra alternativa a não ser iniciar os preparativos para um novo campeonato, que reflicta os valores dos seus participantes e parceiros. Esta série terá uma governação transparente, um único regulamento, irá encorajar mais equipas e ouvir os desejos dos adeptos, nomeadamente preços mais baixos para os espectadores em todo o mundo, parceiros e outros importantes intervenientes.

Os principais pilotos, estrelas, marcas, patrocinadores, promotores e as empresas tradicionalmente associadas com o nível mais elevado do automobilismo estarão todos representados nesta nova série.”

Uma posição de força que mostra bem como a FOTA tinha a situação bem controlada. Depois das televisões terem aderido de forma clara a esta nova competição – após a promessa de preços mais acessíveis e justos para os direitos de transmissão – muitos circuitos colocarem-se ao lado da FOTA, com destaque para o Mónaco, na pessoa do Príncipe Alberto, pilotos já deram o seu aval e até a ACEA, a associação europeia de construtores automóveis, ter pedido a demissão de Max Mosley por quase o considerarem um ditador, faltava só o anúncio oficial.

Desesperado e mostrando uma falta de humildade tremenda, Max Mosley ainda tentou dividir a FOTA inscrevendo definitivamente a Ferrari e as duas equipas da RedBull, argumentando que estas têm contratos comerciais que as ligam à FIA e à FOA.

Antes do GP da Inglaterra, Mosley tentou desesperadamente evitar o inevitável, ao enviar uma carta às equipas aceitando algumas das condições da FOTA, mas deixando claro que o tecto orçamental continuaria. Na mesma carta, o decadente e teimoso presidente da FIA não evitou mais um tique de prepotência ao pedir às equipas que retirassem a condicionante à inscrição antes da conclusão do novo Pacto da Concórdia.

Ou seja, não bastava ter feito uma chica-espertice com a obrigação de inscrições a mais de 9 meses da próxima época e das tentativas para dividir a FOTA, conseguindo através do dinheiro que lhes emprestou Ecclestone, “roubar” a Williams e a Force India, agora dava um ligeiro passo atrás para as equipas esquecerem tudo e fazer aquilo que ele queria.

Falta saber como será este campeonato até final, sabendo-se que a FOTA tem tudo bem adiantado podendo a nova competição ser apresentada dentro de pouco tempo. Tudo isto será uma grande mentira se a FIA se livrar de Max Mosley e se Bernie Ecclestone se reformar, pois ficou claro no comunicado da FOTA que o presidente da FIA não serve os interesses dos construtores e que a FOA não lhe dá o dinheiro justo por serem eles que faz o espectáculo.

Por nós, venha de lá esse campeonato que poderá passar por Portugal, pois os planos referem provas nos mais variados locais e sempre com custos bem menores para os promotores. Afinal, concordamos com os construrores: então se eles são palhaços que fazem a festa, é o organizador quem leva a maior parte? Sempre queremos ver como se desenvencilhará Mosley e o venerando Ecclestone com um campeonato sem circuitos carismáticos e equipas como a US F1, a Manor e outras do mesmo jaez, além da Williams e da Force India que irão perder o apoio da Toyota e da Mercedes, respectivamente. Será que sobrevivem?

2 Respostas

  1. Bom, podemos gravar esta data nas nossas memórias: a Formula 1, tal como conhecemos, vai ter um rival!

  2. Tem toda a razão: a F1 nunca mais será a mesma! E isso tem um único culpado, Max Mosley. Porém, há a ténue esperança que alguém force o homem a sair da FIA e que tudo volto a ser como era, mas em bom. E acreditem que o Bernie Ecclestone estará na linha da frente para observar a queda de Mosley…
    Obrigado pelo seu comentário e faça o favor de continuar a nos visitar.
    Um abraço

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